Há dois dias, Deus te recebeu de braços abertos. Por quê?
Apenas fatalidade da vida, meu avô. Tinha prometido que quando eu já estivesse
em casa, ia escrever, porque seria mais uma forma de eu por pra fora a dor que
estou sentindo pela sua perda. Já que nascemos Dele, pra Ele temos que voltar e
nós que continuamos aqui, temos que nos conformar. Infelizmente, a última vez
que pude te abraçar, disse apenas um “até logo” vindo pra Goiânia seguir com
meus estudos, com a esperança de que o senhor ainda ia me ver formando. Nunca
vou me esquecer da vez em que disse pra um médico quando estava internado, que
eu ainda ia cuidar de você. E cuidei enquanto pude, dando aqueles abraços
apertados quando eu chegava de viagem, pedindo “benção” e pedindo pro senhor
apertar a minha mão com aquele braço paralisado por conta do AVC, rindo com
você e com as suas piadas, admirando a sua inteligência, te defendendo,
brincando com a Rebeca junto com você, falando pro senhor fazer os exercícios
que necessitava e não fazer muito esforço. E você vô, sempre correspondia esse
amor que eu sinto, daquele seu jeito bruto, rústico, mas eu sabia que no fundo,
tinha alguém cheio de carinho pra dar. Chegar na sua casa e não te ver sorrindo
pra me receber, vai ser diferente. Ninguém estava esperando que o senhor fosse
partir assim, tão de repente. Olha essa foto de sábado (13), o quanto estava
feliz. Tinha meses que não reclamava de nada, vinha preparando as
suas coisas pra pescaria com a família no dia 14. Coincidência o senhor falecer
no mesmo dia? Acreditamos que foi de tanta emoção, de tanta felicidade de estar
saindo de Alto Araguaia para fazer o que tanto gostava. Deus planejou tudo de
uma forma incrível, porque os seus filhos já estavam vindo pra te encontrar e
te fazer companhia na pesca, mas não chegaram nem na beira do rio, meu avô. Coincidência
também o senhor nos deixar no dia em que o meu time ganhou do seu? E o senhor
partir entre o aniversário do Kaíque e o meu e não na data de nenhum dos dois? Daqui
dois dias completo os meus 19 anos e não vou poder escutar a sua voz de longe,
mesmo não entendendo muita coisa, mas sabendo que as palavras que me diria,
seriam lindas, me desejando muita felicidade e saúde. E agora, o que devemos
fazer? Seguir em frente, cuidar da vovó, de todos os seus filhos, netos e
bisnetos por você, porque a sua hora de descansar chegou. Você lutava há muito
por uma vida saudável e imagino que estava muito, mas muito cansado. E só nós,
que estávamos ali do seu lado, sabia disso, da força que o senhor tinha ao
superar todas as cirurgias, todas as dores. A Rebeca e o Rafinha, vô, já
sentiram sua falta, mas vamos tentar amenizar sua ausência da melhor forma
possível. Não vamos pedir pro senhor nos salvar de todos os nossos problemas,
pois eles são nossos e não seus. E quando Deus quiser, nos veremos novamente.
Descansa em paz, vôzinho. Te amamos muito, eternamente.
