quinta-feira, 19 de setembro de 2013
O que é viver 18 anos?
Será que é sorrir sem limites? Abraçar alguém apertado e sentir que está fazendo um bem? Beijar todos os dias a testa de alguém que você gosta? Trocar olhares com um namorado ou namorada? Lutar por direitos ou boas causas? Admirar a natureza num fim de tarde? Sair nas noites com os amigos sem ter hora para voltar? Ajudar um idoso ou uma pessoa com deficiência visual a atravessar uma rua movimentada? Se arrumar para uma festa só para se sentir melhor? Dormir até meio-dia? Pedir bênção aos avós? Estudar e passar no vestibular para um curso, o qual tanto desejava? É sentir saudade de um tempo que não volta mais?
São tantas as coisas, que fazemos às vezes sem nem pensar no que aquilo poderia significar. Simplesmente é assim, mas quando paramos para pensar, vemos que as coisas mais simples são as mais importantes e que um ano a mais de vida pode fazer você se transformar, pensando em fazer sempre o bem a todos e assumir aqueles erros que já cometeu, porém seguir em frente, corrigindo-os e mudando o futuro.
sexta-feira, 21 de junho de 2013
Nardoni
"Como começar a descrever os meus últimos dois anos? No dia 29 de março de 2008, a minha vida literalmente caiu do 6º andar de um prédio, houve um terremoto, um turbilhão de acontecimentos. Difícil de acreditar e de assimilar como tamanha crueldade possa ter acontecido. Mais um crime bárbaro passaria na televisão, só que desta vez o fato bateu na minha porta, era minha filha que havia sido brutalmente assassinada. Foi-lhe tirada a oportunidade de viver o que de tão bonito a vida poderia lhe mostrar: amigos, família, alfabetização, valores, princípios, amor ao próximo, entre tantas coisas que lhe seriam proporcionadas.
Hoje, infelizmente entrei para a estatística das mães que perderam seus filhos, uma lista que parecia ser distante de minha realidade. Hoje, a vivo diariamente e entendo o que é sentir essa dor. Uma dor profunda, infinita, um vazio eterno, insuperável. É difícil lidar com a morte, especialmente com a morte do ser que você gerou, carregou durante nove meses e não via a hora de ver o rostinho. Ela nasceu. Era minha estrela de luz, a minha Isabella, aquela que com certeza eu poderia chamar de MINHA. Minha filha, minha princesa, ou melhor... MINHA PRINCESS.
A partir deste momento tudo parou e passei a viver a outra vida, a vida de mãe. A maior dádiva que uma mulher pode ter é o prazer de se tornar mãe. Começou aí outra etapa da vida, a de cuidar, criar, ensinar a sorrir, andar, falar, ensinar a essência da vida para sempre fazer o bem. Posso me sentir vitoriosa por isso. Minha Isabella tinha qualidades inexplicáveis. Uma menina calma, doce, meiga, carinhosa, educada, que sabia falar um português corretíssimo (claro que com alguns ajustes no meio do caminho... rs), mas inteligente demais.
Seu sonho: aprender a ler. Já estava quase lá. Sabia soletrar e, com isso, eu a ajudava a completar as frases. Para escrever, eu soletrava e ela completava. Já sabia escrever seu nome inteiro... eu diria que era um exemplo de criança e quem teve a GRANDE oportunidade de conhecê-la e saber quem ela era, pode confirmar o que estou falando.
Seu brinquedo preferido: jogo da memória. Esse ela dava um show de esperteza. Ganhava todas e, se algo desse errado, ela queria competir mais uma vez. Coisas de ariana.
Bem, mais isso lhe foi tirado, arrancado, jogado pela janela. O que fazer depois de perder tudo isso? Como continuar a vida?
Meus últimos dois anos não têm sido de muitas novidades. Acordo cedo para trabalhar e peço a Deus para me proteger e me dar forças. Quando vou me trocar, lembro que não tenho mais aquele rostinho preguiçoso, amassado e lindo para me dizer 'Mamãe, você está linda', ou 'Mamãe, esta blusa não está combinando, você pode trocar?'. Aquela manha para pedir o 'tetê'. Minha mãe também sente a cama vazia. Era lá que ela ia todas as manhãs continuar seu sono, pois disso ela gostava muito... dormir. Ensinar a fazer lição, dançar, ver filmes, mexer no computador, soletrar os sites ('www' ao invés de falar 'ponto' ela falava 'conto')...
À noite, é o vazio de não ter ninguém para entrelaçar as pernas, dar banho, trocar, beijar, cheirar, apenas deitar e agradecer a Deus por mais um dia de vida e pedir para que minha filha esteja protegida, onde estiver – e agradecer também a oportunidade de ter me tornado mãe de uma menina tão iluminada e maravilhosa, um verdadeiro presente.
Os momentos sem ela e a vida sem ela são muito tristes, mas graças a Deus tenho meus sobrinhos, a Gigi, a Gabi, o João e a Marcella. Eu os amo demais e eles me dão a maior atenção do mundo.
A Gigi está a cada dia mais mocinha e isso me faz pensar que minha filha estaria bem parecida, por suas idades serem próximas. Quando ela está na minha casa, sempre me elogia, me abraça, diz que me ama. Poucos dias atrás estávamos conversando e perguntei a ela se lembrava da Isabella. Ela me respondeu com um sorriso lindo que SIM e ainda completou que sente muita falta dela. Eu falei que também sentia e ficamos lembrando os momentos e passeios que fizemos todas juntas.
O João Vitor e a Gabriela são menores. Com isso, comentam menos. O João é todo molecão e gosta de brincar de Ben 10, essas coisas de menino. A Gabi é toda meiga, bastante parecida com a Isabella. Adora usar as roupas que eram da prima.
Meus pais e irmãos sofrem cada um a sua maneira. Cada um tem o seu modo de se expressar e viver o luto. Minha mãe, porque conviveu com ela todas as manhãs, cada dia que acorda lembra e revive os momentos. Durante muito tempo, ficou com a imagem dela no hospital, morta, mas conversamos muito e trouxemos as melhores imagens dela novamente para nossas lembranças. Meu pai se jogou de cabeça no trabalho. Ele sofre um pouco mais calado. Visita o cemitério todos os fins de semana.
Meus irmãos sempre lembram dela com seus filhos: o Leonardo, por ser pai da Gigi e saber que, quando a leva para passear, as duas poderiam estar juntas, eram muito companheiras. O Felipe, pai da Gabi, é mais emotivo. Como ela lembra muito (Isabella) pelo jeito de ser, ele sempre chora de saudades.
Hoje continuo com a terapia, pois é lá que descarrego um pouco do peso que sinto. Não é fácil carregar esta falta. É mais difícil ainda lidar com o que a perda faz em nossa mente e em nosso coração. Para não cair de uma vez em um buraco sem fundo, eu fui logo procurar ajuda e me apoiar nas pessoas que estavam ao meu lado: pai, mãe, irmãos, tios, primos e amigos. Foi para eles que chorei, gritei, abri meu coração. De cada um retirei um pouco de força para continuar a dura caminhada da vida.
Para o futuro não tenho planos ainda. Quero continuar trabalhando, seguindo minha vida. A única coisa que é certa é a vontade de me tornar mãe novamente. Mas estes não são planos para agora.
As pessoas ainda me reconhecem na rua, me apontam, dão sorrisos, um tchau, e isso me fortalece. Ainda recebo cartas, mensagens, presentes – claro que hoje com menos frequência, mas ainda recebo, e percebo que ainda existem pessoas com corações bons no mundo. Em uma das últimas cartas que recebi, em fevereiro de 2010, um trecho dizia assim: 'Você teve uma filhinha que fez o Brasil refletir e é uma santinha que no céu pede muito a Deus por você e sua família. Parabéns pela graça que Deus lhe deu'. Tem como ler isso e não se emocionar?
Agora estou em outra fase difícil, que é o julgamento. Um dia que esperei muito. É uma dor ter de enfrentar tudo novamente, relembrar cada detalhe. Intensifiquei a terapia para poder estar preparada a enfrentar tudo o que virá durante os próximos dias.
Minha força vem da fé que carrego dentro de mim, vem da minha base familiar, muita oração e conversa com Deus.
Quero terminar aqui agradecendo a todos os profissionais competentes que trabalharam desde o começo no caso, desde a delegacia, Instituto Médico-Legal, Instituto de Criminalística, entre outros órgãos;
Aos profissionais que ficaram dia e noite para poder passar a verdade única sobre tudo o que aconteceu. Ao promotor, doutor Francisco Cembranelli, por sua dedicação e competência. À doutora Cristina Christo Leite, minha advogada, pelo empenho e paciência;
A minha família, pela educação e honestidade que me deram, pelo colo, pelo abraço, o ombro, a compreensão e a paciência durante todos estes anos de vida;
Aos meus verdadeiros e grandes amigos por estarem comigo quando eu mais precisei de vocês;
E agradecer a todo o Brasil. A todo mundo que abraçou esta causa, que passou a AMAR e ter minha filha como parte da família, a minha eterna gratidão pela solidariedade.
Obrigada a todos.
Beijos, Carol."
sexta-feira, 7 de junho de 2013
"O amor é um sentimento que nem sempre trás felicidade. Teria alguém se apaixonado ou amado, sem nunca ter sofrido, chorado. No final de um grande amor, sempre vem a solidão. Se é que um grande amor um dia chega ao fim. O coração nem sempre responde à razão. Ou melhor, ele nunca responde à razão. Como eu queria entender esse meu coração; ama sem ter razão e não quer te esquecer. Queria terminar, parar de sofrer, seguir outro destino, mas todos os caminhos me levam pra você."
Gabriel Solino
E aí você descobre que há sempre outro dia, outro sorriso, outra paixão. Achei que isso não iria acontecer tão cedo, mas você veio quando eu mais precisei. Precisava eu de alguém com quem eu falasse todos os dias; que me fizesse rir por coisas bobas; que me ligasse do nada, sem eu estar esperando, só para falar que está com saudade; que me abraçasse bem apertado; que me segurasse pelo cabelo para dar um beijo quente; que sussurrasse em meu ouvido; que me irritasse facilmente; que me fizesse cosquinhas; que olhasse fundo em meus olhos; que eu chamasse de "amor". Alguém para quem eu ensinasse coisas boas e com quem eu aprendesse coisas novas. Uma pessoa para eu desejar nas noites frias e sozinhas, para me fazer cafuné, fazer amor e depois tomar banho juntos, nas poucas oportunidades que teríamos de ficar a sós. E acima de tudo, alguém que descobrisse os meus segredos, que me descobrisse por completo e que me amasse com a mesma intensidade. Um amigo, além de um namorado.
quinta-feira, 18 de abril de 2013
"Vai menino. A tua vocação é a chave que te solta. Vai fazer Pediatria. Vai, menino, fazer Pediatria. Vai tratar tosse, calcular hidratação.
Vai conferir as doses de vacina, prescrever Penicilina ou escolher alguma Cefalosporina de terceira geração.
Vai, meu amigo, trabalhar muito e sempre e todo dia, vai dar consulta, vai fazer plantão, passar a noite acordado, atendendo resfriado, não custa nada ou quase nada, acredite, pelo menos pro bolso do teu patrão.
Vai, garoto, vai dar duro, vai cuidar de prematuro, falar de amamentação.
Vai, menino, com persistência, com paciência, com overdose de abnegação, sem esperar reconhecimento, vai trabalhar só pro teu sustento e pra tua própria satisfação.
Vai, tonto, fazer Pediatria, vai diagnosticar Apendicite, reconhecer rapidamente a Difteria, vai aprender a tratar infecção.
Cuidar de criança com febre, cuidar de criança com Gastrenterite, cuidar de criança com convulsão.
Vai pra batalha, mas vai preparado: um pequeno deslize, tudo errado... Qualquer engano, grande confusão... Não há lugar pra falha ou distração.
Vai, teimoso, fazer Pediatria, o teu destino está na tua mão.
Tu poderias fazer Endoscopia, Neurocirurgia, cuidar dos males do coração. Ou porque não tentar Nutrologia, Dermato, Fisiatria, especializar-se em Doenças do Pulmão. Mas por descuido do teu anjo guia, ou por defeito de fabricação, por insistência, por teimosia, por desacerto ou por distração escolheste fazer Pediatria.
Vai em frente. Honra com fé a tua decisão. Leva o bom senso como companhia. Faz do trabalho a tua obrigação.
Mas não te assustes se qualquer dia, por arrogância, por prepotência, ou por qualquer outra Disritmia, te ameaçarem com Ordem de Prisão. Custa um leão por dia a tua liberdade. Não abre mão, porém, da tua dignidade. Não cede um palmo da tua convicção. Esquece o dano.
Lembra-te do soldado iraquiano, lutando contra um gigante, e segue adiante, sempre radiante, sempre na mão.
E ainda que a febre não abaixe, e o dado clínico não se encaixe, e o resultado do exame só aumente a indecisão, e ainda que o cliente nunca volte, e ainda que o cinismo nunca falte, e ainda que te ofendas quando um dia sem motivo te chamarem de furão, não desanimes.
A fibra e a persistência não são crimes. Nem é pecado a obstinação.
Vai, menino. A tua vocação é a chave que te solta. Segue portanto a fazer Pediatria. Mas segue sempre adiante.
Vai. Não volta. Porque não há retorno para os Caminhos do Coração."
quinta-feira, 11 de abril de 2013
Sinto o tempo voar, não sou mais aquela criança isenta de responsabilidade, sonhadora e verdadeiramente feliz. Vejo as pequenas e grandes oportunidades que perdi por não ver o relógio correr. Como eu queria poder voltar no tempo e acreditar novamente na magia, no surreal, na criatividade do ser. Ainda queria esperar que meu príncipe encantado chegasse em seu cavalo branco para nós sermos felizes para sempre. Só que a vida passa, a realidade que ela nos mostra não é tão bonita assim. Crescemos para ver a crueldade dominando a humanidade, perdemos totalmente a inocência de ser criança para presenciar o verdadeiro massacre que se tornou o mundo. Meu Deus, o que foi isso que nos tornamos? Cadê o amor? A compaixão? Que pessoas são essas que são capazes de matar o próprio filho ou a própria mãe? Que sociedade é essa que só julga e fere? Já não quero nem pensar onde esse mundo vai parar, ou o final que esta história vai tomar, mas espero não estar viva para presenciar o homem acabando com ele mesmo.
Flávia Luana
Flávia Luana
domingo, 7 de abril de 2013
Eu bebo mesmo, danço até o chão e minha mãe sabe muito bem a filha que tem. Homem tem medo de mulher independente! Pior ainda: homem tem medo de mulher que FARRA! Aí o cara, conhece uma menina bonita que bebe e farra tanto quanto ele… Se ele não quiser sair, ela sai só com as amigas, não tem tempo ruim, banca suas coisas, se tiver meio sem grana, se diverte como dá. Se tiver bem de dinheiro, ai é que sai mesmo... Conversa com todo mundo, conhece muita gente! Falando assim, parece bem fácil ficar e/ou namorar com uma mulher dessas. E é! O problema é que a grande parte dos homens não segura a onda de uma mulher pau-a-pau com eles, aí eles namoram a Sandy. A Sandy é fácil de namorar, ela sai, mas não dança, ela não bebe, nada de decotes ou mini saias. Se o namorado não quiser sair, ela não sai, e se ele quiser sair sozinho, ela fica em casa, assistindo televisão e o melhor, leva chifre, sabe e aceita... Mas quer saber? Mulher que sabe se divertir e aproveita a vida até sozinha, dispensa homem sem coragem! Mulher de verdade assusta! Mulher nenhuma precisa de homem para se destacar… Não mesmo!
terça-feira, 12 de março de 2013
Davi Santos
Está ciente de que já viveu 19 anos? Quantos desses dias foram bons para você? Já se arrependeu de algo? Pois é, nem paramos para pensar quanto tempo soubemos aproveitar da nossa vida. É tão simples viver, que mal damos valor nisso. Você, Davi, entrou na minha vida de um jeito tão natural, que nem sei explicar. Está lembrado do Neo Cubo? Foi com aquela simples foto minha, onde você fez seu primeiro comentário no meu Facebook e a partir dali, começamos a nossa história. Depois, me chama para ir num lugar e eu topo, sem nem saber onde era. Sou daquelas que estou pronta para desafios, sabe? Sei que você sabe, porque você conseguiu me desvendar, conseguiu descobrir os meus segredos. Suas ligações, suas palavras, seu modo de falar comigo, seu cheiro, sua pele, seu sorriso, sua voz me marcaram. Aquela pergunta "posso ir aí te ver?" e aquele "não" a gente conhece bem. Mas eu sempre acabei me entregando, mesmo não querendo, no fundo eu sempre quis. Isso foi o que levava às nossas meras brigas, um ciúme bobo, um confronto de opiniões básico... Foi criando um sentimento, até eu ter coragem de dizer "eu te amo, você me ama?" no banheiro daquela festa. Talvez meu coração tenha pedido, talvez o seu tenha respondido "só um pouquinho..." Tivemos momentos bons, muito bons. E também ruins, como em todo relacionamento. Ruins, ao ponto de me fazerem chorar. Ás vezes, pensava que o mundo inteiro estava contra nós. Apesar de eu parecer fria e sorrir todos os dias, também pertenço àquelas noites doloridas, as quais me fazem refletir. Mas se um dia caiu lágrimas dos meus olhos, é porque era preciso, era necessário libertar uma angústia. Se um dia, você apareceu, foi por algum motivo e se não estamos juntos hoje, talvez é porque Deus nos reserva algo para amanhã. Não foi porque eu errei ou você errou... Não chegamos, em nenhum momento, a nos comprometer, pois, como você diz "nós não damos certo, vivemos em mundo diferentes". Mas e aquele ditado em que "os opostos se atraem"? Tudo em nossa vida tem um propósito. Não é atoa que aqui estou te escrevendo, não é atoa que você está se realizando profissionalmente. Só Ele sabe o quanto estou feliz e peço por você todos os dias. Tenho só a te agradecer e pedir desculpas pelas vezes, as quais eu fui grossa e me precipitei em algumas atitudes. Meus parabéns! Te desejo muita saúde, felicidades, paz e muito sucesso. A cada postagem sua, vejo que você está feliz e isso me faz bem. Um dia eu precisei do seu ombro-amigo e você me deu; quando precisar do meu, ele estará aqui. Nosso romance, vai ficar marcado na memória. Te cuida.
segunda-feira, 11 de março de 2013
É... Estamos com carência de passear de mãos dadas, dar e receber carinho; fazer um jantar pra quem você gosta e depois saber que vão "apenas" dormir abraçados. Sabe, essas coisas simples que perdemos nessa marcha de uma evolução cega. Tornamos-nos máquinas e agora estamos desesperados por não saber como voltar a "sentir", só isso, algo tão simples que a cada dia fica tão distante de nós. Todo mundo quer ter alguém ao seu lado, mas hoje em dia é feio, brega. Alô, gente! Felicidade, amor, todas essas emoções nos fazem parecer ridículos, e daí? Seja ridículo, não seja frustrado. "Pague mico", saia gritando e falando bobagens. Você vai descobrir mais cedo ou mais tarde que o tempo para ser feliz é curto, e cada instante que vai embora não volta. O que realmente não dá, é continuarmos achando que viver é out, que o vento não pode desmanchar o nosso cabelo ou que eu não posso me aventurar a dizer para alguém: "vamos ter bons e maus momentos e uma hora ou outra, um dos dois ou quem sabe os dois, vão querer pular fora, mas se eu não pedir que fique comigo, tenho certeza de que vou me arrepender pelo resto da vida".
Sou lúcida na minha loucura, permanente na minha inconstância, inquieta na minha comodidade. Pinto a realidade com alguns sonhos, e transformo alguns sonhos em cenas reais. Choro lágrimas de rir e quando choro pra valer, não derramo uma lágrima. Amo mais do que posso e, por medo, sempre menos do que sou capaz. Busco pelo prazer da paisagem e raramente pela alegre frustração da chegada. Quando me entrego, me atiro e quando recuo, não volto mais. Mas não me leve a sério, sei que nada é definitivo. Nem eu sou o que penso que eu sou. Nem nós o que a gente pensa que tem... Não acredito em duendes, bruxas, fadas ou feitiços. Não vou à missa. Nem faço simpatias. Mas, rezo para algum anjo de plantão e mascaro minha fé no Deus do otimismo. Quando é impossível, debocho. Quando é permitido, duvido. Não bebo porque só me aceito sóbria, fumo para enganar a ansiedade e não aposto em jogo de cartas marcadas! Penso mais do que falo. E falo muito, nem sempre o que você quer saber. Eu sei. Gosto de cara lavada - exceto por um traço reto no olhar - pés descalços, nutro uma estranha paixão por camisetas velhas e sinto falta de uma tatuagem no lado esquerdo das costas. Mas há uma mulher em algum lugar em mim. E, ignorando todas as regras, todas as armadilhas dessa vida urbana, dessa violência cotidiana, se você me assalta, eu reajo.
sábado, 19 de janeiro de 2013
Patrícia encontrava-se internada no Hospital Universitário de Florianópolis e descreve a enfermeira Danelise, que Patrícia veio a falecer quatorze horas mais tarde que escreveu essa carta, de parada cardíaca respiratória em consequência da AIDS.
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