sábado, 26 de fevereiro de 2011


Já estava morta.                                                                Resolvi escrever em uma folha encontrada em cima da cama para a primeira pessoa que a lesse, soubesse dessa fatalidade. O porquê? Já estava cansada de tanta dor. Doía a cabeça, doía o peito, o coração, os braços, as pernas e os pés. Doía tudo e ainda mais um pouco. Então, para descansar, resolvi amenizar todos esses remorsos. Já estava na cadeira de rodas, não suportando mais aqueles olhares de piedade me focalizando. Avistei de longe, uma pequena criança brincando na areia da praia, montando castelos. É, ela estava feliz, não parecia ter oito anos de idade. Ainda tinha muito para viver, coitada!                                                          Eu errei, sou humano. Deveria ter aproveitado mais, amado mais e até errado mais. Desejo que aquela pequena criança, não erre mais do que eu. Todos erram, mas não esperem tantos!                         Eu necessitava ser feliz, mas longe do mundo. Fui como uma coruja, bati as suas na direção da noite e do silêncio... eu queria encontrar areia e montar castelos, no paraíso dos céus.

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