segunda-feira, 21 de março de 2011
Sofro. Todas as noites, admiro da janela do meu apartamento, as milhares de luzes acesas ao redor do meu prédio. São brilhosas e têm várias cores, algumas estão baixas e outras altas. Mas, não vou gastar meu precioso tempo, o qual deveria ser utilizado para estudar, descrevendo as lâmpadas da cidade de Goiânia.
É estranho encará-las e ver a realidade de não estar no lugar onde eu mais queria, de não poder sentir o amor dos meus pais de perto, de não ver minhas meninas e meus meninos todos os dias, de não poder confessar-lhes os meus erros e contar-lhes os meus segredos, de não receber ligações avisando-me que estão chegando na minha casa de pedras para tomar aquele tereré gelado na esquina em baixo de uma sombra fresca até a madrugada, de não poder andar, sair pela cidade com as mesmas companhias, de não estar no meu quarto e não dormir na minha cama barulhenta ou nos meus macios colchões no chão que era de madeira, de não assistir à tv parabólica e ver os porta-retratos da sala...
Enfim, o que as luzes têm a ver com isso? Queria que elas se apagassem. Só assim, acabaria esse sofrimento, essa estranha solidão e essa transmissão de medo de talvez, nunca mais viver essas simples coisas. Simples e que têm grande valor!
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